segunda-feira, outubro 24, 2011

A Força das Palavras!


É impossível imaginar que as pessoas não tenham um pouquinho de amor ao ser humano, a ponto de criticar ou mesmo ironizar ou debochar de pessoas que chegaram ao ponto de pesar mais de 700 Kg. Obesidade é doença, ninguém é gordo porque quer, a luta contra a balança é um desafio que poucos conseguem vencer sem ajuda, sem o auxílio de profissionais ou de medicamentos, ou ainda sem ter que apelar a procedimentos cirúrgicos. E quanto mais às pessoas brincam, quanto mais as pessoas debocham, fazem piadas, menos auto-estima esta pessoa vai ter e mais ela vai engordar. É incrível a falta de noção de certas pessoas, a falta de discernimento, que faz com sejam indiscretas, inconvenientes e que não tenham o mínimo de noção quando fazem um comentário, uma piada, quando humilham uma pessoa obesa pelo divertimento ou deleite de alguns. A força das palavras pode ser devastadora, pode levar uma pessoa a sucumbir a uma depressão, ou simplesmente perder a força de lutar contra esta doença, que cresce cada vez mais e afeta as pessoas cada vez mais cedo, ainda crianças. Temos que exaltar o amor ao próximo, a solidariedade, a compaixão, chega de fazer piada com a pessoa que tem dificuldade de cruzar a catraca do ônibus, chega de debochar do gordinho que serviu um prato “recheado” no restaurante, chega de humilhar a pessoa que quebrou a cadeira de um bar, ao invés disso estenda a mão e ajude-a a levantar, diga uma palavra de apoio, seja amigo, seja solidário. Vemos coisas todos os dias que se as pessoas fossem um pouquinho mais humanas, outras não precisavam passar. O pré-conceito está tão entranhado em nossa cultura, em nossa sociedade que é muito difícil darmos dois passos sem nos depararmos com pessoas que possuem este tipo de mentalidade tacanha, que afeta e contamina a pureza da alma humana. 

Vemos crianças, seres angelicais, corrompidos por esta infame transgressão que é o pré-conceito, às vezes tomando como base para isso, comentários que ouviram dos pais ou de pessoas próximas, na verdade falam coisas que nem sabem o significado, ou o quanto estas palavras podem machucar ou mudar a vida do outro, falo isso porque sei muito bem como é ter 10 anos, estar na 4ª série, ter mais 30 coleguinhas, ser o único gordinho e ser tratado como se carregasse uma doença altamente contagiosa. Só quem passa por este tipo de situação é quem sabe, como a pessoa se sente, imagine uma criança passando por isso, sem saber como lidar ou mesmo o que pensar. Se sentir inferior, diminuída, incapaz de construir um laço de amizade ou de afeto e saber que todo o dia haverá uma situação nova, uma piada nova, sair de casa é quase como “caminhar para o corredor da morte”, porque é assim que pessoa (ou criança) se sente, morto, acabado, como se não fosse nada. A única forma de superar isso é com ajuda, contando com pessoas que gostam de você, tendo ao seu lado alguém que diga que é seu amigo, que não se esconda quando a piada vier, este é o primeiro passo para a aceitação e para que a pessoa tenha força para buscar ajuda profissional, no caso de uma criança, os pais ou pessoas próximas, como professores, devem ficar atentos ao comportamento da criança, se ela está mais calada, mais agressiva, com dificuldade de aprendizado ou se recusando a ir a aula, são alguns indícios de que algo esta errado. Falo do pré-conceito contra o obeso, por conhecimento de causa, mas acho abominável qualquer tipo de pré-conceito. Devemos ter em mente que somos todos iguais, independente, da cor, do credo, da altura, do peso, da condição econômica, todos somos filhos do mesmo pai, viemos do mesmo lugar, apenas tivemos oportunidades diferentes. Então, é necessário que as pessoas tenham mais cuidado com as palavras, tenham noção do poder de uma palavra, de um gesto, de um olhar e tentem se colocar no lugar daquela pessoa antes de julgar ou de fazer um comentário maldoso, ou uma piada de mal gosto, que humilhe o obeso, é importante que as pessoas tentem ver a situação de forma inversa, e se fosse uma pessoa que você gosta (um pai, uma mãe, um irmão ou um filho), você faria o mesmo comentário ou a mesma piada. Mas para que isso aconteça é necessária uma conscientização, projetos governamentais realmente eficazes contra o pré-conceito, não para mudar a cabeça de algumas pessoas, mas para que se mude a cultura da nossa sociedade.

Autor: Jeancarlo Minuzzi Vicenti

2 comentários:

  1. Existem pessoas que pensam que palavras não machucam ou ferem uma outra. Na realidade muitas vezes as palavras ferem muito mais do que uma agressão física. Muito bom o texto e o título é perfeito! Parabéns...

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  2. Parabéns pelo texto Jean! E realmente como conversávamos muitas vezes só pensamos sobre o assunto quando convivemos com pessoas que sofrem ou quando somos nós mesmos que sofremos com o preconceito.

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Dr. Glauco da Costa Alvarez

Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica